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O menino que sabia ler o céu

  O menino, que tinha menos de dez anos, deu um salto da cadeira ao mesmo momento que levantava uma das pequenas mãos: Eu sei, professora! Eu sei ler o céu! Como um ensaio de corrida, veio em minha direção e, puxando-me pelas mãos, levou-me até a porta. Vê bem esse azul, professora. Está escuro, bastante escuro. De noitinha teremos estrelas e de madrugada pode ser que chova um pouquinho, bem pouquinho. Ele narrava os humores dos céus como se estivesse a contar sua história favorita da primeira infância. Eu havia levado um texto de Mia Couto, escritor moçambicano que esteve entre as minhas leituras preferidas durante alguns anos: Não Sabemos Ler o Mundo. A crônica dizia sobre a nossa incapacidade de ler os espaços, as pessoas, o céu. Pedia, de modo poético e sutil, para desconsiderarmos o fato de que a única alfabetização possível eram a das palavras. "Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitu...
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“Agora você é oficialmente um O'Malley!”

Há pouco, comecei a assistir a série Grey's Anatomy e alguns diálogos começaram a ecoar dentro de mim. A situação aconteceu com Dr. George O'Malley, quando seus irmãos, juntos com o seu pai, vieram buscá-lo para cumprir uma antiga tradição: caçar, a céu aberto, um peru para a ceia do Dia de Ação de Graças. Sabendo que não havia outra saída, George seguiu com a família e, depois de algum esforço, realizou a caça. “Agora você é oficialmente um O'Malley!”, comemoraram - enquanto George parecia ainda não ver sentido algum naquilo tudo. Nas cenas onde George está com os irmãos, eles o têm como um tolo, como alguém capaz de sujeitar-se a qualquer coisa para estar dentro dos padrões de vida “O'Malley”. E ser um deles. Na sequência, o diálogo: - Pai, por que vocês nunca me tratam como um igual? - Filho, nossas vidas são diferentes da sua, somos do campo e você, um médico cirurgião. Nós o amamos, mas, definitivamente, você não é um de nós. Esse episódio me remeteu a um assunto q...

Seja forte e corajoso

Escrevo como quem escreve para um amigo que tem sonhos. E tem sonhos grandes, sonhos que só poderão ser vivenciados depois de aperfeiçoamentos e aprendizado de habilidades que requerem esforço. Então, pergunto: - Aonde você quer chegar? - E quando chegar lá, você seria capaz de manter suas conquistas? - Teria força suficiente para resistir a tempestades maiores do que as quais têm vivido hoje? Tenho conversado com pessoas que têm passado dificuldades em seus ambientes familiares, de trabalho e convivências. Pessoas que se chateiam por um comentário maldoso, por uma comparação desleal, por críticas e - até mesmo - por fofocas. E a pergunta, no final da conversa, quase sempre é a mesma: - O quanto essas dificuldades têm feito parte dos seus processos de aperfeiçoamento? O versículo que coloquei na imagem tem me acompanhado nos últimos anos e sempre que me deparo com uma situação difícil, leio-o [ e isso não envolve somente desgastes de relacionamentos, mas também cansaço, irritabilidade,...

Nada é óbvio

  Conversávamos sobre um filme francês; naquela época, um dos meus favoritos. Até então, como só havia conversado com pessoas que apreciavam aquele modelo de narrativa, não exitei em incentivar uma colega a assisti-lo: - #AmeliePoulain é realmente um filme fantástico! É ÓBVIO que você vai gostar! E, de repente, um ruído ao nosso redor. “ O que houve? ”, perguntei aos que estavam presentes. A resposta veio rapidamente: - Esse filme não é tudo isso. E essa personagem? Como ela é intrometida! Como alguém pode imaginar que tem o direito e o dever de afetar a vida dos outros daquela maneira?! - Concordo! Nunca entendi o motivo desse filme fazer tanto sucesso..._ replicou outra pessoa que ouvia a conversa. E foi assim que teve início uma longa discussão a respeito do tal filme. Confesso, eu estava em choque. Era muito difícil imaginar que alguém tinha uma visão tão diferente da minha a respeito de uma mesma história. Estava arrependida por ter utilizado a palavra “óbvio” de uma maneira t...

As fronteira entre o que fazemos e o que somos

  Se ainda havia dúvidas sobre o fato que que a imagem profissional está interligada com a imagem pessoal, o episódio #RomeroBrito veio como uma boa resposta para isso! Com acesso à diversas plataformas digitais e redes sociais, conhecer o comportamento de alguém que é destaque na mídia tornou-se algo simples e altamente relevante quando se fala de marca pessoal e valor agregado ao produto. Quando a mulher em destaque no vídeo - não vou entrar no mérito se o que ela disse é verdade ou não, apenas sobre o que o vídeo nos mostra - quebra o produto em público, é como se ela dissesse: “Por causa do teu comportamento, o teu produto não tem mais valor para mim!” Temos outros exemplos, principalmente nessa época onde diversas marcas agregaram valor por cuidar dos seus colaboradores e dos seus clientes, ou perderam valor de mercado por um posicionamento de descaso pela vida humana. O que fazemos e aquilo que representamos é intrínseco ao que somos, aos nossos valores pessoais, a nossa étic...

Episódio Romero Brito e suas lições

  Olá pessoas! Como  vocês estão? Gravei um podcast para falar sobre aquele episódio em que uma obra de Romero Britto foi quebrada  em público,  cena que está sendo repercutida em diversas redes sociais. Partindo do pressuposto de que tudo o que foi dito no vídeo é verdade, discorro sobre  alguns pontos do comportamento humano relacionados a  ética, valores pessoais e profissionais e  relacionamentos interpessoais. A conversa rolou de forma espontânea, sem nenhum tipo de roteiro ou ensaio. Segue o link:  https://anchor.fm/outlierbee/episodes/Episdio-Romero-Brito---por-Luciana-Leito-ei6d9n Por favor, se existe algum ponto que você acha que merece ser dito num outro momento dentro deste podcast,  escreva seu comentário. Se você discorda, concorda, tem posicionamentos diferentes ou se você acha que tudo isso é uma extrema baboseira, fique à vontade para comentar, porque aqui todo mundo tem espaço!  Beijo ! Vídeo:

Primeiro Podcast

Olá, Outliers!!!! 💛 O primeiro podcast a gente nunca esquece! E esse rolou assim, bem leve - na verdade, feito do nada, no estilo: "bora gravar um podcast? bora!" Fernanda Warto e eu, conversamos sobre a necessidade de nos sentirmos aceitos nos locais onde convivemos sob uma narrativa um pouquinho diferente do que as pessoas dizem por aí. A conversa está aqui:    https://anchor.fm/outlierbee Espero que curtam super! 😘