O menino, que tinha menos de dez anos, deu um salto da cadeira ao mesmo momento que levantava uma das pequenas mãos: Eu sei, professora! Eu sei ler o céu! Como um ensaio de corrida, veio em minha direção e, puxando-me pelas mãos, levou-me até a porta. Vê bem esse azul, professora. Está escuro, bastante escuro. De noitinha teremos estrelas e de madrugada pode ser que chova um pouquinho, bem pouquinho. Ele narrava os humores dos céus como se estivesse a contar sua história favorita da primeira infância. Eu havia levado um texto de Mia Couto, escritor moçambicano que esteve entre as minhas leituras preferidas durante alguns anos: Não Sabemos Ler o Mundo. A crônica dizia sobre a nossa incapacidade de ler os espaços, as pessoas, o céu. Pedia, de modo poético e sutil, para desconsiderarmos o fato de que a única alfabetização possível eram a das palavras. "Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitu...
Seja fora da curva, seja fora de série. Seja extraordinário!