Há pouco, comecei a assistir a série Grey's Anatomy e alguns diálogos começaram a ecoar dentro de mim.
A situação aconteceu com Dr. George O'Malley, quando seus irmãos, juntos com o seu pai, vieram buscá-lo para cumprir uma antiga tradição: caçar, a céu aberto, um peru para a ceia do Dia de Ação de Graças.
Sabendo que não havia outra saída, George seguiu com a família e, depois de algum esforço, realizou a caça.
“Agora você é oficialmente um O'Malley!”, comemoraram - enquanto George parecia ainda não ver sentido algum naquilo tudo.
Nas cenas onde George está com os irmãos, eles o têm como um tolo, como alguém capaz de sujeitar-se a qualquer coisa para estar dentro dos padrões de vida “O'Malley”. E ser um deles.
Na sequência, o diálogo:
- Pai, por que vocês nunca me tratam como um igual?
- Filho, nossas vidas são diferentes da sua, somos do campo e você, um médico cirurgião. Nós o amamos, mas, definitivamente, você não é um de nós.
Esse episódio me remeteu a um assunto que tem sido muito trabalhado dentro de mim nos últimos dias:
Não pertencermos a todos os grupos e nem todos os espaços foram feitos para nós.
Quem nunca rasgou a sua alma, ou reduziu a própria vida a fim de ouvir um: “Agora você é oficialmente um O'Malley!”; que atire a primeira pedra.
Existe uma liberdade muito grande em reconhecer o fato de que nem todos os espaços são nossos, que nem todas as pessoas irão se interessar por aquilo que somos, pelo que amamos ou pelo que fazemos - aliás, muitos não vão gostar de você - ou vão tê-lo como inferior - pelo simples fato de não “falarem a mesma língua”, de não buscarem as mesmas coisas, por não compreenderem os seus porquês.
Ter a sabedoria de escolher onde irá construir suas permanências - e relacionamentos - irá ajudá-lo(a) a desenvolver-se pessoal, profissional e/ou espiritualmente.
Agora, da próxima vez que te excluírem de um grupo, ao invés de mandar indiretas pelas redes sociais, respire, relaxe e lembre-se:
Você não precisa ser um “O'Malley”.

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